sábado, 12 de janeiro de 2013

A Yoga, o Mundo e o Swami Vivekananda


A YOGA, O MUNDO E O SWAMI VIVEKANANDA


Certa feita, nos Estados Unidos da América, o Swami Vivekananda, durante uma palestra teve, dirigido a ele, a seguinte pergunta: “O Senhor disse muita coisa, mas não informou como a yoga pode mudar o mundo.” “Como isso pode ser feito através da yoga”.
O Swami prontamente respondeu: “Quem vos disse que é o objetivo da yoga mudar o mundo? Quem vos disse que o mundo precisa ser mudado ou que não deveria ser como é? Que vos disse que o mundo não é perfeito”.
Ele, então, prosseguiu explicando que o objetivo da yoga era promover o progresso do ser humano e que o mundo foi criado para ser como é, ou seja, um instrumento ou campo de trabalho e aperfeiçoamento do homem.
Por fim, só o progresso humano individual e coletivo em termos de elevação de consciência poderia transformar a vida na Terra, mas, ai, este mundo não seria mais necessário, não é?
O Swami ainda conta á parábola que se segue e que se encontra na sua obra Karma Yoga:
“Certa vez um homem pobre e ávido de desejos procurou um Mestre, pois queria ter um gênio que lhe servisse e atendesse todos os seus desejos. O Mestre, negou o pedido do homem, sob a alegação de que isso era muito perigoso.
Porém o homem tanto insistiu e tanto fez, que o Mestre acabou cedendo e lhe entregou um talismã para que invocasse o gênio.
Então o homem correu para casa e recitou o mantra de invocação. Imediatamente surgiu na sua frente um gênio enorme e de aspecto feroz que assim se pronunciou: “Dai-me trabalho ou te mato”.
O homem se assustou e se lembrou da advertência do Mestre, mas tinha tantos desejos que era impossível que o gênio ficasse sem trabalho.
Assim pediu-lhe um palácio: “Está feito”. Pediu as melhores roupas, bordadas com fio de ouro: “Está feito”. Joias e riquezas: “Está feito”. Um banquete: “Está feito”. “Vamos, depressa, dai-me trabalho ou te mato”. Derruba então aquela floresta e no seu lugar edifica uma cidade em meu nome e para mim. “Está feito, dai-me trabalho ou te mato.”
O homem começou a entrar em desespero, pois nada mais tinha a pedir e fugiu em desabalada carreira atrás do Mestre e foi seguido pelo gênio que bradava “dai-me serviço ou te mato”.
Ao chegar ante ao Mestre, pediu-lhe ajuda e o Mestre prontamente lhe disse: “Rápido, toma da espada e corta a cauda enrolada deste cão”.
O homem assim o fez e, uma vez cortada a causa, esta caiu ao chão tomando a forma retilínea.
O gênio se aproximava e o Mestre disse: “Ordene a ele que conserte a cauda do cachorro”.
O homem assim o fez e o gênio, imediatamente colou a cauda do cão que, imediatamente se enrolou. O gênio tentou e tentou desenrolá-la, mas não conseguiu fazê-lo.
Por fim, o gênio coçou a cabeça e disse: “Sou um gênio experiente, mas nunca me deparei com um imbróglio tão grande como esse.” “Se  o amo me liberar dessa tarefa e me libertar, ele pode ficar com tudo que lhe dei e eu pouparei a sua vida.
E assim foi feito.
O mundo é como a cauda enrolada do cachorro, é sua natureza ser como é, parece errado, mas surgiu para ser como é e é perfeito à sua maneira. Nem os mais poderosos podem alterar a forma.
Não tente mudar o mundo, não tente mudar o próximo, cuide apenas de ser um emissor e transmissor da Luz.

Swami Satyananda

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